Sadhana Pada, Sutra 3.49 - tato manojavitvaṁ vikaraṇa-bhāvaḥ pradhāna-jayaś ca

A partir disso (do domínio dos sentidos), vem a velocidade da mente (manojavitva), a ausência de instrumentos sensoriais (vikaraṇa-bhāva) e o domínio sobre a matéria primordial (pradhāna-jaya).

🧩 Termos-chave:
• tataḥ – a partir disso (do sūtra anterior, da conquista dos sentidos).
• manojavitvam – rapidez da mente; mover-se com a velocidade do pensamento.
• vikaraṇa-bhāvaḥ – estado de não depender mais dos órgãos dos sentidos.
• pradhāna-jayaḥ – domínio sobre o pradhāna (a matéria primordial, segundo o Sāṅkhya).

✨ Explicação profunda:
1. Manojavitvam – velocidade da mente:
• O yogin adquire a habilidade de dirigir a mente a qualquer lugar instantaneamente, sem obstáculos.
• Isso não é só agilidade mental: é a capacidade de transferência da consciência para qualquer objeto, tempo ou lugar — mesmo além dos limites do corpo físico.

2. Vikaraṇa-bhāva – ausência dos sentidos:
• Literalmente significa “não ter mais necessidade dos instrumentos sensoriais”.
• O yogin transcende os sentidos físicos; ele percebe diretamente pela consciência pura (como um "olhar interior"), sem depender de olhos, ouvidos, pele etc.
• Isso é um estado avançado, onde os sentidos são completamente recolhidos (pratyāhāra total) e a consciência percebe sem mediações.

3. Pradhāna-jaya – domínio da matéria primordial:
• No sistema Sāṅkhya (que forma a base dos Yoga Sūtras), o Pradhāna é a substância indiferenciada da qual surge toda a manifestação (prakṛti).
• Alcançar jaya (vitória, domínio) sobre o Pradhāna é como transcender a ilusão da dualidade material.
• O yogin não é mais influenciado pelas qualidades da matéria (guṇas: sattva, rajas, tamas).
• Isso indica um grau de emancipação espiritual extraordinário — quase à beira do kaivalya (liberação final).

🪔 Em resumo:
Aquele que domina completamente os sentidos atinge três coisas extraordinárias: a velocidade do pensamento, percepção sem órgãos sensoriais e domínio sobre a própria substância da natureza. Ele está livre dos limites do corpo e do mundo material. Esse sūtra marca um ponto culminante nos poderes (vibhūtis) descritos até aqui — o yogin está cada vez mais próximo da libertação absoluta.

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