Kaivalya Pada, Sutra 4.7 - karma aśukla akṛṣṇaṁ yoginas trividham itareṣām
As ações do yogi não são nem brancas nem negras; mas para os outros, são de três tipos.
🧩 Termos principais:
• karma – ação.
• aśukla – não branca (não virtuosa).
• akṛṣṇaṁ – não preta (não pecaminosa).
• yoginaḥ – do yogi.
• tri-vidham – de três tipos.
• itareṣām – dos outros (aqueles que não são yogis).
✨ Significado profundo:
🧘 1. Ação além do dualismo moral
Para os yogis, especialmente aqueles avançados no caminho do samādhi e discernimento (viveka-khyāti), as ações não geram mais karma.
Não são nem boas (śukla) nem más (kṛṣṇa), pois:
• São realizadas sem apego ao fruto.
• Não são motivadas por ego, desejo ou medo.
• Não deixam impressões latentes (saṁskāras).
Assim, são ações puras, espontâneas, e livres de consequências kármicas.
⚖️ 2. Três tipos de ação para os demais
Para os não-yogis (itareṣām), as ações continuam sendo de três tipos:
1. śukla (branca): ações virtuosas, geram mérito (punya).
2. kṛṣṇa (preta): ações não virtuosas, geram demérito (pāpa).
3. śukla-kṛṣṇa (mistas): ações com resultados mistos (boas e más).
Essas ações alimentam o ciclo de nascimento e morte (saṁsāra), porque deixam sementes (bīja) no inconsciente que germinarão no futuro.
🕯️ 3. Estado de não-reactividade
O yogi é aquele que, ao transcender os pares de opostos (dharma / adharma, sukha / duḥkha), atua com consciência pura, sem se identificar com o agente da ação. Ele age no mundo, mas não está mais preso ao mundo. Suas ações fluem do dharma natural e não geram vínculo.
🪷 Em resumo:
Para o yogi, as ações são livres de mérito ou demérito — não geram karma. Para os demais, toda ação ainda está presa à polaridade do bem, do mal ou do misto, perpetuando o ciclo de saṁsāra.
Me conta aqui
O que você achou desse sutra?