Sadhana Pada, Sutra 2.18 - prakāśa-kriyā-sthiti-śīlaṁ bhūtendriya-ātmakam bhoga-apavarga-artham dṛśyam

O que é visto (prakriti) tem a natureza da luz, ação e estabilidade (os três gunas), composto de elementos e sentidos, e existe para a experiência e libertação do purusha.

“O visto (dṛśyam) tem como natureza a luminosidade, a atividade e a inércia; é composto dos elementos e dos sentidos, e existe para a experiência (bhoga) e a libertação (apavarga) do observador.”

🔍 Palavras importantes:
• prakāśa – luminosidade, clareza, inteligência (sattva).
• kriyā – atividade, ação (rajas).
• sthiti-śīlaṁ – estabilidade, inércia, resistência à mudança (tamas).
• bhūta – os cinco elementos (éter, ar, fogo, água, terra).
• indriya – os órgãos dos sentidos (audição, visão, etc.).
• ātmakam – de natureza, composto de.
• bhoga – experiência, fruição, gozo do mundo.
• apavarga – libertação, emancipação espiritual.
• artham – com o propósito de, com o objetivo de.
• dṛśyam – o que é visto, o objeto da experiência (Prakṛti e suas manifestações).

 Neste sūtra, Patañjali define o "objeto de experiência" — isto é, Prakṛti e tudo que dela se origina.

O que é esse "dṛśyam"?
1. É composto pelos três guṇas:
◦ Prakāśa (sattva) – iluminação, clareza, conhecimento.
◦ Kriyā (rajas) – ação, movimento, desejo, agitação.
◦ Sthiti (tamas) – estabilidade, inércia, ignorância.

2. É formado por:
◦ Os cinco elementos materiais (pañca mahābhūtas).
◦ Os órgãos dos sentidos e instrumentos da mente.

3. Serve a dois propósitos:
◦ Bhoga – permitir ao Puruṣa experimentar o mundo.
◦ Apavarga – fornecer os meios para que ele se liberte ao compreender que não é nada disso.

📚 Comentários tradicionais:
Vyāsa e comentaristas posteriores explicam que:
• O mundo externo (corpo, objetos, eventos) e interno (pensamentos, emoções) está todo incluído no "dṛśya".
• Esses fenômenos existem não por si mesmos, mas em função do Puruṣa — isto é, para que ele tenha experiência e, com discernimento, busque a libertação.

🧘 Aplicação prática:
O yogi entende que:
• O mundo (incluindo o corpo e a mente) é útil — mas não é o eu verdadeiro.
• Tudo o que surge no campo da experiência existe para que a consciência o testemunhe e, por fim, se liberte da identificação com ele.
• Isso transforma a relação com o mundo: ele deixa de ser algo para ser possuído e passa a ser um instrumento de aprendizado e libertação.

🪔 Em resumo:
O que é visto — o mundo com seus movimentos, formas e experiências — existe apenas para que o Puruṣa possa experimentar e, por fim, se libertar.

O yogi, então, aprende a usar o mundo sem se prender a ele.

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