Sadhana Pada, Sutra 2.35 -Ahimsa-pratishthayam tat-sannidhau vairatyagah.
Quando a não-violência (ahimsa) é firmemente estabelecida, até mesmo na presença dessa pessoa, a hostilidade é afastada.
Tradução literal:
“Quando a não violência está firmemente estabelecida, toda hostilidade cessa na sua presença.”
🔍 Termos-chave:
• ahiṁsā – não violência (em ação, fala e pensamento);
• pratiṣṭhāyām – quando firmemente estabelecida, enraizada;
• tat-sannidhau – na sua presença;
• vaira-tyāgaḥ – abandono de inimizade, hostilidade, agressividade.
Este sutra revela um dos efeitos sutis (siddhi) da prática profunda e estável da ahiṁsā:
Quando alguém se torna completamente não violento em natureza, sua presença neutraliza a violência ao redor.
Ou seja, a vibração, o campo ou o estado de consciência desse yogi inspira paz e desarma hostilidades naturalmente — sem precisar falar nada.
Isso não é apenas metafórico.
A tradição diz que em torno de uma pessoa assim:
• Animais ferozes ficam calmos,
• Pessoas agressivas perdem a raiva,
• O ambiente se harmoniza,
• Conflitos tendem a cessar.
🧘 Aplicação prática:
Este sutra nos lembra que o verdadeiro poder espiritual não está nas palavras, mas no estado do ser.
Ahiṁsā, quando plenamente realizada, transforma o mundo ao redor pelo simples ser.
Esse tipo de presença só é possível quando a não violência se torna espontânea, natural e profunda — não apenas uma decisão ética, mas um reflexo da própria natureza purificada da mente.
📚 Comentário de Vyāsa:
Vyāsa explica que este é um efeito natural e inevitável da firmeza em ahiṁsā: os seres ao redor abandonam qualquer intenção hostil. Ele dá o exemplo de sábios que, apenas com sua presença, pacificavam animais selvagens e até guerreiros armados.
🪔 Em resumo:
Quando a não violência é total, a paz se irradia automaticamente.
A presença do verdadeiro yogi dissolve o conflito à sua volta.
Vamos agora ao Sutra 2.36, onde Patañjali apresenta o impacto espiritual da prática firme de satya, a veracidade. Este é o segundo dos yamas, e seu efeito, como veremos, transcende a moral comum — ele toca o poder da realidade em si.
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